Executivo compartilha história de mais de duas décadas no paranaense Grupo Vellore, tempo que contrasta com a realidade de um mercado em que pouco mais de 30% dos vínculos formais ultrapassam cinco anos de duração
Há 22 anos, o então estagiário Diego Alves Prestes não imaginava o que o futuro poderia reservar. Hoje, como diretor de Operações e Compras do Grupo Vellore, o executivo lida com os desafios da gestão de suprimentos e compras globais, que envolvem viagens frequentes à China e a supervisão da unidade mantida pela companhia no país.
A trajetória de Prestes foi construída dentro da mesma empresa, em um percurso de aprendizado e crescimento profissional, o que contrasta com a realidade do mercado de trabalho. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego, referentes a 2024, 31,6% dos vínculos formais de emprego no Brasil tinham mais de cinco anos de duração.
Pesquisas sobre gestão de pessoas apontam que oportunidades de desenvolvimento profissional e movimentação interna podem contribuir para a permanência dos colaboradores. Uma análise publicada pela Society for Human Resource Management (SHRM), com base em dados do LinkedIn, identificou maior probabilidade de retenção entre funcionários que foram promovidos ou mudaram de função dentro da mesma empresa.
Da operação à liderança
No início, ele conta que não pensou na possibilidade de chegar ao cargo que tem hoje. “Eu queria fazer bem feito o que estava na minha mão e aprender o máximo possível. Foi justamente isso que me trouxe até aqui”, afirma. O início na operação foi importante para desenvolver valores que seguem presentes no dia a dia profissional.
A primeira grande mudança veio em 2005, quando assumiu o cargo de supervisor e passou a liderar equipes. “Tive que aprender a ouvir mais, a ter paciência e a confiar nos outros”, conta. A experiência na operação ajudou a construir uma visão mais ampla do negócio, que se tornou importante conforme assumiu novas funções.
Conhecer de perto a rotina da fábrica e da logística ajuda o executivo a avaliar os impactos das decisões na prática e facilita o diálogo com as equipes. “Por eu ter passado por tudo, eu consigo imaginar como uma decisão vai chegar lá na ponta”, explica.
Ao longo da carreira, ele também contou com o apoio de profissionais que confiaram em seu potencial, entre eles Paulo Velloso, fundador do Grupo Vellore.
Os desafios das compras internacionais
À frente das áreas de Operações e Compras, Prestes também acompanha uma cadeia de suprimentos que envolve fornecedores de diferentes países e milhares de pontos de venda. O trabalho inclui a supervisão do escritório de Ningbo, na China, onde ele vai pelo menos três vezes ao ano.
“O maior desafio é garantir que o produto certo esteja no lugar certo, na hora certa, com qualidade e custo justo. Parece simples, mas, com milhares de pontos de venda, fornecedores em vários lugares e o escritório em Ningbo, tem muita coisa envolvida: prazo de importação, variação de câmbio, frete, demanda que muda”, detalha.
Para lidar com essas variáveis, o planejamento e o relacionamento com os fornecedores são fundamentais. Também é preciso acompanhar as mudanças na demanda e reagir rapidamente quando surgem imprevistos.
Oportunidades para quem está começando
Depois de construir a própria carreira dentro da empresa, Prestes também vê como parte de sua responsabilidade apoiar profissionais que estão começando. “Eu me sinto responsável por isso. O Paulo [Velloso] acreditou em mim, agora é a minha vez de fazer o mesmo. Eu procuro estar perto, dar abertura, incentivar quem tem vontade de aprender”, afirma.
O conselho é investir no aprendizado, ter iniciativa e não ter receio de fazer perguntas. “Estude, faça bem feito, seja curioso, não tenha vergonha de perguntar. O Grupo Vellore valoriza quem se dedica, e eu sou a prova de que dá para crescer aqui dentro.”


