Derrite chega ao Senado, Coronel Telhada e Nantes à Câmara Federal e Conte Lopes, Paganotto e Telhadinha à Alesp; diferentes gerações da tropa de elite transformam experiência no enfrentamento à criminalidade em força política.
Das ruas para as urnas. Da ROTA para o Parlamento.
As eleições de 2026 colocaram seis ex-integrantes do 1º Batalhão de Polícia de Choque Tobias de Aguiar, a ROTA, entre os eleitos de São Paulo para o Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.
Guilherme Derrite foi eleito senador. Coronel Telhada e Sargento Nantes conquistaram cadeiras na Câmara Federal. Conte Lopes, Coronel Paganotto e Capitão Telhadinha foram eleitos para a Alesp.
São diferentes gerações de policiais que passaram por uma das unidades mais conhecidas da Polícia Militar paulista e depois levaram para a política pautas relacionadas ao combate ao crime, endurecimento da legislação penal e valorização das forças de segurança.
E as urnas deram dimensão à força eleitoral dessa turma.
Derrite recebeu 13.273.880 votos e tornou-se o senador mais votado da história do Brasil em números absolutos.
Nantes conquistou 333.401 votos, terminando como o 7º deputado federal mais votado de São Paulo e liderando a votação do PP no estado.
Coronel Telhada foi eleito deputado federal com 104.513 votos. Na Assembleia, Conte Lopes recebeu 139.225 votos, Capitão Telhadinha 134.006, e Coronel Paganotto 77.703, todos garantindo cadeira no Legislativo paulista.
DE CONTE LOPES A UMA NOVA GERAÇÃO
A relação entre a ROTA e a política vem de longe.
Conte Lopes foi uma das primeiras grandes referências dessa passagem da atividade policial para a vida pública. Conhecido pela atuação operacional na Rota, tornou-se uma inspiração para policiais que vieram nas gerações seguintes.
Entre eles, Coronel Telhada.
Fã declarado da trajetória de Conte Lopes, Telhada seguiu caminho semelhante, mas acabou se tornando o elo entre aquela geração e uma nova leva de policiais que anos depois também chegaria à política.
Ele comandou a Rota entre 2009 e 2011 e foi justamente naquele período que algumas dessas histórias começaram a se cruzar dentro do batalhão.
Derrite chegou à Rota em 2010.
Sargento Nantes ingressou no batalhão em 2009.
Rafael Telhada, o Telhadinha, também integrou a unidade e seguiria carreira em outras tropas especializadas.
Telhada teve papel na aproximação desses policiais com a Rota e, posteriormente, também os incentivou a levar a experiência adquirida na segurança pública para a vida política.
No caso de Derrite, essa relação é documentada: Telhada abriu as portas da unidade para sua chegada e, anos depois, também o estimulou a disputar eleições.
Com Nantes e Telhadinha, a relação profissional e pessoal também avançaria para a política, com incentivo para que transformassem a experiência policial em atuação pública.
DA ROTA PARA AS REDES
Telhada também percebeu cedo outra transformação que marcaria a política nos anos seguintes: a força das redes sociais.
Quando a comunicação digital ainda estava longe da dimensão atual, ele já utilizava a internet para mostrar ocorrências, o cotidiano policial e posicionamentos relacionados à segurança pública.
Em julho de 2012, antes mesmo de assumir seu primeiro mandato, sua página no Facebook já reunia mais de 37 mil seguidores, número expressivo para aquele momento das redes sociais.
A fórmula seria ampliada pelos policiais da geração seguinte.
Derrite, Nantes e Telhadinha construíram forte presença digital, utilizando as plataformas para aproximar o trabalho político do público e manter a segurança entre os principais temas de comunicação.
A passagem da Rota para a política ganhou, portanto, um novo componente: a capacidade de falar diretamente com milhões de pessoas.
DA LINHA DE FRENTE PARA AS LEIS
Agora, diferentes gerações voltam a se encontrar no Parlamento.
Conte Lopes representa uma das raízes dessa história.
Coronel Telhada tornou-se o elo entre aquela geração e policiais que passaram pela Rota durante seu período de comando e posteriormente seguiram para a política.
Derrite chega ao Senado com uma votação recorde.
Nantes chega à Câmara como um dos deputados federais mais votados de São Paulo.
Telhadinha amplia sua votação e conquista novo mandato na Assembleia.
Paganotto também leva para a Alesp a experiência construída na Polícia Militar e na própria Rota.
São trajetórias diferentes, mas marcadas por uma origem em comum: a linha de frente da segurança pública.
Agora, parte dessa experiência estará diretamente no debate sobre crime organizado, legislação penal, valorização policial e estrutura das forças de segurança.
Antes, o combate ao crime era feito principalmente nas viaturas, nos batalhões e nas operações.
Agora, uma geração que passou pela Rota também estará na elaboração das leis.
Da Rota para as redes. Das redes para as urnas. E das urnas para o Parlamento.



