Empresa contratada pelo GDF para resíduos hospitalares tem conexões com estrutura ligada ao Banco Master

A B-Green Gestão Ambiental S.A., contratada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para atuar na coleta, tratamento e destinação de resíduos hospitalares da rede pública de saúde, possui em sua estrutura societária e administrativa uma série de conexões com a Master S/A Corretora e com profissionais ligados ao Banco Master


Documentos analisados pela reportagem mostram que essas relações passam pelo Taurus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (Taurus FIP), presente na estrutura societária da B-Green e da B-Green Participações. Nos atos societários consultados, o fundo aparece representado por sua administradora, a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.

A relação ganha relevância por envolver uma empresa contratada para executar um serviço sensível da saúde pública. Documento oficial do Pregão Eletrônico nº 90069/2026, da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), identifica o objeto da licitação como “coleta / tratamento lixo - hospitalar”. O valor estimado era de aproximadamente R$ 22 milhões.

A B-Green aparece no procedimento com uma proposta de R$ 15,5 milhões, a menor entre as oito empresas relacionadas no documento. A segunda menor proposta, apresentada pela Belfort Gerenciamento de Resíduos, foi de R$ 15.509.670.

O documento encaminhado à reportagem retrata uma fase em que o certame ainda constava como “aguardando julgamento”. A reportagem, porém, apurou que a B-Green foi posteriormente contratada pelo GDF para a prestação dos serviços relacionados aos resíduos hospitalares da rede pública.
Os nomes que conectam B-Green e Master

Um dos principais nomes dessa estrutura é Carlos Alberto Reyes Gandra, que passou a integrar a administração da B-Green Gestão Ambiental e da B-Green Participações.

A movimentação ocorreu dentro de uma estrutura societária na qual aparece o Taurus FIP, fundo administrado, nos documentos analisados, pela Master Corretora. Assim, a chegada de Gandra à administração das empresas não aparece de forma isolada: ela ocorreu no contexto de deliberações societárias envolvendo o fundo ligado à corretora.

Outro personagem é Pedro Henrique Mota Gonçalves. Ele aparece em documentos societários representando o Taurus FIP em atos relacionados à B-Green, dentro da estrutura em que a Master Corretora figura como administradora do fundo.

A reportagem também confirmou, por meio de uma fonte ouvida durante a apuração, que Pedro Henrique teve registro profissional como “Advogado Sênior do Banco Master”. A informação acrescenta um elo profissional direto entre um dos representantes do fundo acionista da B-Green e o Banco Master.

O terceiro nome é Vinicius da Silva Pinto. Ele aparece nos atos societários representando o Taurus FIP e também teve atuação na Master S/A Corretora, onde exerceu cargo de diretor. Segundo as informações reunidas pela reportagem, Vinicius também esteve ligado à área responsável pela custódia.
Do Banco Master à empresa contratada pela Saúde do DF

A sequência documental permite traçar uma conexão objetiva entre as estruturas.

De um lado está a B-Green Gestão Ambiental, contratada pelo poder público do Distrito Federal para lidar com resíduos hospitalares. Na estrutura societária aparecem a B-Green Participações e o Taurus FIP. Nos atos societários analisados, o Taurus, por sua vez, aparece administrado e representado pela Master S/A Corretora.

Além da relação institucional, surgem conexões pessoais: Carlos Alberto Reyes Gandra assume posições de administração na B-Green e na B-Green Participações; Pedro Henrique Mota Gonçalves, que representou o Taurus em atos societários da B-Green, teve registro profissional como Advogado Sênior do Banco Master, segundo fonte ouvida pela reportagem; e Vinicius da Silva Pinto, que também representou o fundo, exerceu cargo de diretor da Master Corretora.

A contratação envolve um segmento particularmente sensível. Resíduos provenientes de hospitais e outras unidades de saúde exigem coleta, transporte, tratamento e destinação específicos em razão dos riscos sanitários, ambientais e ocupacionais envolvidos.

No procedimento da SES-DF analisado pela reportagem, a diferença entre o valor estimado, de R$ 22.002.090, e a proposta apresentada pela B-Green, de R$ 15,5 milhões, foi de aproximadamente R$ 6,5 milhões, uma redução próxima de 30% em relação ao orçamento estimado.
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