Castração de cães e gatos: benefícios existem, mas decisão deve considerar idade, porte e saúde do animal

Além de evitar ninhadas não planejadas, o procedimento pode prevenir doenças e modificar comportamentos ligados aos hormônios; por outro lado, a idade da cirurgia deve ser avaliada individualmente.

Pexels (pexels.com)
Crédito: Pexels (pexels.com)

Qual é o melhor momento para este animal?

A castração está entre os procedimentos mais realizados na medicina veterinária de cães e gatos. Embora seja frequentemente associada ao controle populacional, seus efeitos vão além da reprodução: a cirurgia pode contribuir para a prevenção de determinadas doenças e reduzir alguns comportamentos relacionados aos hormônios sexuais.

Mas a decisão sobre quando castrar merece atenção. Evidências mais recentes mostram que fatores como espécie, sexo, raça, porte, idade e condição clínica devem ser considerados antes da cirurgia, especialmente no caso dos cães.

As Diretrizes para o Controle da Reprodução em Cães e Gatos, publicadas em 2024 pela World Small Animal Veterinary Association (WSAVA), recomendam que os benefícios e possíveis efeitos adversos da esterilização sejam avaliados de acordo com as características de cada paciente.

Quais são os principais benefícios?

Nas fêmeas, a remoção dos ovários impede a reprodução e elimina a possibilidade de desenvolvimento de piometra quando acompanhada da remoção uterina. A piometra é uma infecção grave do útero que pode colocar a vida do animal em risco.

A esterilização também está associada à redução do risco de tumores mamários, principalmente quando realizada mais cedo na vida reprodutiva. O grau de benefício, entretanto, varia conforme espécie, momento da cirurgia e outros fatores.

Nos machos, a retirada dos testículos elimina a possibilidade de tumores testiculares e pode reduzir problemas relacionados à ação hormonal sobre o sistema reprodutivo.

Outro benefício é a prevenção de gestações indesejadas. Esse aspecto ganha importância em residências com animais de sexos diferentes e também no contexto mais amplo de abandono e crescimento descontrolado das populações de cães e gatos.

Castração também muda o comportamento?

Alguns comportamentos têm forte influência hormonal e podem diminuir depois da castração.

Nos gatos machos, por exemplo, a cirurgia pode reduzir marcação territorial com urina, busca por fêmeas e disputas associadas à reprodução. Em animais que têm acesso à rua, a redução da procura por parceiros também pode diminuir situações que favorecem fugas e confrontos.

Isso não significa, porém, que a castração seja uma solução para qualquer problema comportamental. Agressividade, ansiedade, medo ou conflitos entre animais podem ter diferentes causas e precisam ser avaliados separadamente.

Existem pontos negativos?

Sim. Como qualquer procedimento médico, a castração apresenta riscos e possíveis consequências que precisam ser considerados.

A cirurgia exige anestesia e, embora o risco seja geralmente baixo em pacientes saudáveis e adequadamente avaliados, ele não é inexistente. Exames e avaliação clínica pré-operatória ajudam o médico-veterinário a definir a segurança do procedimento.

Após a castração, também pode ocorrer maior tendência ao ganho de peso. A necessidade energética do animal pode mudar, tornando importante ajustar alimentação, quantidade de calorias e atividade física.

Nos cães, a idade da castração passou a receber atenção especial nos últimos anos. A American Animal Hospital Association (AAHA) destaca que, principalmente em cães de maior porte, a esterilização muito precoce pode estar associada a maior ocorrência de determinadas alterações ortopédicas e, em alguns grupos, a outros problemas de saúde.

Em cadelas, estudos também apontam associação entre esterilização e maior ocorrência de incontinência urinária em determinados animais.

As próprias entidades veterinárias ressaltam que uma associação observada em estudos não significa necessariamente que a castração seja a causa direta do problema. Além disso, resultados encontrados em determinada raça ou população não devem ser automaticamente aplicados a todos os cães.

Então qual é a melhor idade para castrar?

Não existe uma resposta única.

Para gatos, a esterilização antes da maturidade reprodutiva é uma prática amplamente utilizada, desde que o animal esteja saudável e tenha sido avaliado pelo médico-veterinário.

Entre os cães, a decisão pode exigir uma análise mais individualizada. Porte, raça, sexo, velocidade de crescimento, risco de reprodução não planejada e histórico clínico devem entrar na avaliação.

A AAHA, por exemplo, diferencia suas orientações de acordo com o porte esperado do cão adulto e recomenda maior cautela com a idade da esterilização em animais de grande porte.

Por isso, a pergunta deixou de ser simplesmente “castrar ou não castrar?” e passou a incluir outra igualmente importante: “qual é o melhor momento para este animal?”

Informação ajuda a evitar dois extremos

A castração não deve ser apresentada nem como uma cirurgia obrigatória para todos os animais na mesma idade, nem como um procedimento prejudicial que deve ser evitado.

As evidências disponíveis apontam benefícios importantes, como controle reprodutivo e prevenção de determinadas doenças, ao mesmo tempo em que mostram que o planejamento individual pode reduzir riscos.

A orientação é que a decisão seja tomada em conjunto com o médico-veterinário, considerando as características e a rotina de cada cão ou gato.

A Amah Vet, clínica veterinária com atuação em São Paulo, mantém em seu blog conteúdos de orientação sobre castração, prevenção de doenças, comportamento e cuidados com cães e gatos.

Responsável Técnico: RENATO GONÇALVES - CRMV-SP:27182


Postagem Anterior Próxima Postagem