O INSS concedeu 546.254 benefícios por transtornos mentais em 2025, o quinto ano seguido de alta. Com a atualização da NR-01 em vigor, cresce a procura por soluções de saúde corporativa desenhadas para pequenas e médias empresas.
O Brasil registrou em 2025 o maior número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais da última década. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o INSS concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais ao longo do ano, alta de 15,66% sobre os 472.328 registrados em 2024. É o quinto ano consecutivo de crescimento. Ansiedade e episódios depressivos lideram as concessões, e as mulheres respondem por cerca de 63,5% dos casos.
O dado chega em um momento específico da regulação trabalhista. A Portaria MTE nº 1.419/2024 incluiu os fatores de risco psicossocial no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e alterou o capítulo 1.5 da NR-01. A Portaria MTE nº 765/2025 prorrogou a entrada em vigor para 26 de maio de 2026. A partir dessa data, a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego deixou de ser orientativa e passou a ter caráter punitivo, com aplicação do critério de dupla visita nos 90 dias seguintes. Esse período de transição já se encerrou.
Na prática, as empresas abrangidas pela NR-01 precisam considerar os fatores de risco psicossocial relacionados ao trabalho em seu processo de gerenciamento de riscos ocupacionais, identificando, avaliando e documentando esses fatores conforme as exigências aplicáveis.
É nesse cenário que começam a surgir soluções voltadas especialmente às pequenas e médias empresas. Uma delas é o Atend Já Empresas, programa criado pela rede de clínicas Atend Já para reunir assistência à saúde, saúde mental e medicina do trabalho em uma mesma operação.
Quem sente mais o aperto
A exigência recai sobre todas as empresas abrangidas pela norma, mas a capacidade de resposta é desigual. Companhias de grande porte costumam ter área própria de saúde e segurança do trabalho. A pequena e média empresa, não.
O problema se soma a outro. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar mostram que a taxa de cobertura por planos privados de assistência médica chegou a 25% da população brasileira em junho de 2026, com 53,1 milhões de beneficiários. Ou seja, três em cada quatro brasileiros seguem fora da saúde suplementar. E o custo de quem está dentro continua subindo: a própria ANS apurou reajuste médio de 9,9% nos planos coletivos nos dois primeiros meses de 2026, percentual que sobe para 13,48% nos contratos com até 29 vidas, justamente a faixa em que estão as menores empresas.
O resultado é um RH que precisa resolver várias frentes ao mesmo tempo, normalmente com fornecedores diferentes: a clínica que emite o atestado de saúde ocupacional, a consultoria que elabora o programa de gerenciamento de riscos, alguma solução de telemedicina e, quando existe, o plano de saúde contratado por corretora. Cada um com contrato, prazo e interlocutor próprios.
As três frentes do programa
O Atend Já Empresas se estrutura em três frentes que operam de forma integrada.
A primeira é a assistência ao colaborador por meio do Cartão Atend Já. O benefício inclui uma consulta mensal de Clínico Geral por Telemedicina 24 horas por dia, sete dias por semana; até 25% de desconto em consultas e exames; até 30 diárias de internação hospitalar no valor de R$ 300 por dia; possibilidade de financiamento de cirurgias em até 24 vezes no boleto; auxílio funeral de R$ 5.500; e inclusão de até quatro dependentes.
A segunda frente é a gestão dos riscos psicossociais. O colaborador responde online a um instrumento de avaliação pelo celular ou computador. A avaliação gera informações para identificação e análise dos fatores de risco psicossocial, apoiando a empresa na documentação e gestão desses riscos dentro de seu PGR, com laudo entregue em até três dias úteis e relatório periódico para o RH acompanhar a evolução. Quando a avaliação aponta colaboradores em situação de risco elevado, o RH tem o encaminhamento para atendimento psicológico ou psiquiátrico dentro da própria rede, presencial ou online.
A terceira é a medicina e a segurança do trabalho. As unidades emitem atestados de saúde ocupacional admissional, demissional, periódico, de retorno ao trabalho e de mudança de função, além de PCMSO, PGR, LTCAT e PPP, com exames complementares como espirometria, eletrocardiograma, audiometria e acuidade visual realizados na mesma estrutura em que o colaborador faz consultas e exames.
"Mapear risco psicossocial e não ter para onde encaminhar a pessoa identificada é um problema que a gente ouve muito do RH", afirma Rafael Grizzo, CEO da Atend Já. "A empresa faz o mapeamento, gera o documento e aí descobre que tem quinze pessoas precisando de acompanhamento e nenhuma estrutura para atendê-las em prazo razoável. Nosso desenho tenta fechar essa lacuna: o mesmo endereço que faz o exame admissional atende o colaborador quando ele precisa."
Capilaridade como aposta
Segundo dados da própria rede, atualizados em setembro de 2026, a Atend Já reúne mais de 80 unidades franqueadas, mais de mil médicos prestadores e acumula mais de quatro milhões de pacientes atendidos em sua trajetória, com consultas em mais de 20 especialidades, exames laboratoriais, diagnóstico por imagem, procedimentos, cirurgias e telemedicina.
O programa é comercializado pela franqueadora diretamente junto ao RH das empresas, e o atendimento é feito pela unidade da rede mais próxima do colaborador. A operação atende empresas a partir de cinco colaboradores.
"Grande parte das soluções tradicionais de saúde corporativa foi estruturada pensando nas grandes empresas", diz Grizzo. "Mas existe um enorme mercado de pequenas e médias empresas que também precisa cuidar da saúde dos colaboradores e, ao mesmo tempo, lidar com as novas exigências de saúde ocupacional. Foi olhando para esse público que estruturamos o Atend Já Empresas."
Os dados oficiais de cobertura da saúde suplementar podem ser consultados no portal da ANS.
Crédito da imagem: Unsplash/epicuros



