Sócio da Evostack, Adriano Santos aponta que empresas podem monetizar o ecossistema financeiro que já existe ao redor de suas operações por meio de crédito integrado e embedded finance
Empresas de varejo, indústria, franquias, marketplaces e outros ecossistemas de negócios podem encontrar no crédito uma nova frente de receita sem necessariamente precisar se transformar em instituições financeiras. Para Adriano Santos, sócio da Evostack, empresa de orquestração financeira, a expansão do embedded finance e de modelos como o Credit as a Service (CaaS) permite que companhias aproveitem o relacionamento, os dados e a recorrência que já possuem para incorporar soluções financeiras à jornada de seus clientes.
“O dinheiro já circula dentro do ecossistema. A questão é que, muitas vezes, outra empresa captura o valor financeiro gerado pela relação que você construiu. Quando uma empresa oferece crédito aos próprios clientes, franqueados, fornecedores ou parceiros, por meio de uma infraestrutura financeira especializada, ela pode participar da receita gerada por essas operações. Ou seja, além de vender seu produto ou serviço, passa a ganhar também com a necessidade de crédito que já existe dentro da sua própria base. O empresário conhece profundamente seu cliente, mas muitas vezes ainda deixa esse valor financeiro nas mãos de terceiros”, explica Adriano Santos, sócio da Evostack.
Segundo a Evostack, a monetização pode acontecer por diferentes modelos, de acordo com a estrutura da operação e os parceiros envolvidos. Ao oferecer crédito dentro da própria jornada comercial, a empresa pode participar da receita gerada pelas operações, receber comissões pela originação ou distribuição dos produtos financeiros ou estabelecer outros modelos de remuneração com os parceiros responsáveis pela infraestrutura, análise de risco e concessão do crédito. Dessa forma, o crédito deixa de ser apenas um serviço complementar e passa a representar uma nova frente de geração de receita.
Segundo a pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2026, realizada pela PwC Brasil em parceria com a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), as fintechs participantes do levantamento concederam R$ 53,8 bilhões em crédito em 2025, alta de 51% em relação aos R$ 35,5 bilhões registrados em 2024. A base também avançou, chegando a 94,9 milhões de clientes pessoa física, considerando Brasil e exterior, enquanto o número de clientes pessoa jurídica superou 72 mil.
“Isso mostra que existe uma demanda concreta por crédito e que a tecnologia está ampliando a capacidade de oferecer soluções financeiras de forma mais integrada. Para uma empresa que já possui uma base relevante de clientes, fornecedores, distribuidores ou franqueados, o próximo passo pode ser olhar para essa jornada não apenas como uma relação comercial, mas também financeira”, afirma Adriano.
Nesse cenário, o conceito de embedded finance deixa de estar restrito a pagamentos, contas digitais ou cartões e passa a incluir produtos de crédito incorporados diretamente às plataformas e operações das empresas. Um levantamento da PayNXT360 aponta que o mercado de embedded finance no Brasil movimentou uma trajetória de crescimento acelerado e tem projeção de alcançar aproximadamente US$ 18,33 bilhões até 2030. O estudo destaca ainda o avanço de soluções de crédito integradas a marketplaces, pontos de venda e plataformas digitais.
Para Santos, a oportunidade está justamente em transformar ativos que a empresa já possui — como relacionamento, distribuição e dados transacionais — em novas possibilidades de monetização.
“Uma indústria pode vender equipamentos e também oferecer capital para que seus clientes ampliem a operação. Uma franqueadora pode apoiar seus franqueados na necessidade de capital. Um marketplace pode oferecer crédito de capital de giro aos vendedores. O produto principal continua existindo, mas a empresa passa a participar de uma jornada financeira que antes era capturada integralmente por terceiros”, explica.
A infraestrutura disponível também reduz a necessidade de as empresas desenvolverem internamente toda a operação financeira. Por meio de parceiros especializados, é possível conectar tecnologia, análise de crédito, compliance, funding, cobrança e gestão de risco, mantendo a empresa concentrada em sua atividade principal e, ao mesmo tempo, criando novas oportunidades de receita a partir do próprio ecossistema.
“Não se trata de transformar toda empresa em banco. Trata-se de entender que, dentro de muitos negócios, já existe uma operação financeira acontecendo. A diferença é que algumas empresas vão perceber antes que podem participar economicamente dela”, conclui Adriano Santos.



