Uso da IA como ferramenta de busca redefine visibilidade digital e impõe novo desafio para marcas e empresas

 



 Pesquisas apontam que 37% das pessoas já iniciam suas buscas diretamente em ferramentas de inteligência artificial e, entre usuários frequentes da tecnologia, 91% utilizam para esse fim

 

A forma como as pessoas pesquisam informações na internet está passando por uma transformação acelerada com o avanço da inteligência artificial. Ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini já figuram entre as principais plataformas utilizadas como mecanismos de busca, mas o impacto desse movimento vai além da experiência do usuário. A mudança também começa a redefinir os critérios de visibilidade e reconhecimento no ambiente digital.

 

Segundo o estudo 2026 AI and Search Behavior Study, conduzido pela agência norte-americana Eight Oh Two e divulgado pelo portal Search Engine Land, 37% das pessoas já iniciam suas buscas diretamente em ferramentas de inteligência artificial, deixando buscadores tradicionais em segundo plano. Entre os usuários frequentes da tecnologia, o número é ainda maior. De acordo com a Innovating With AI, 91% utilizam essas ferramentas para realizar pesquisas na internet.

 

“Diferente dos mecanismos clássicos, que operam a partir de palavras-chave e entregam listas de links, as soluções baseadas em IA interpretam a intenção de quem pesquisa. Isso permite respostas mais diretas, contextualizadas e frequentemente apresentadas em formato conversacional”, explica Bruna Mulinari, fundadora da Dataplai, empresa especializada em projetos de inteligência artificial.

 

Essa transformação já impacta diretamente o domínio histórico dos buscadores tradicionais. Conforme dados da Statcounter, a participação global do Google caiu abaixo de 90% pela primeira vez desde 2015, em outubro de 2024. Embora haja múltiplos fatores envolvidos, o crescimento de ferramentas baseadas em IA aparece como um dos principais vetores dessa mudança.

 

A mudança traz implicações estratégicas para as marcas. Se antes a disputa por visibilidade se concentrava nos buscadores tradicionais, agora passa também pela capacidade de ser reconhecida pelos sistemas de inteligência artificial. A presença digital passa a influenciar não apenas a percepção pública, mas também o modo como as IAs identificam e recomendam empresas.

 

“A percepção pública mudou, e já não é possível simplesmente posicionar uma marca nas IAs por meio de técnicas rápidas. Esses sistemas se baseiam na autoridade construída, considerando fatores como presença na imprensa e em canais relevantes. Ou seja, estamos falando de reputação, algo que se constrói no médio e longo prazo, e não do dia para a noite, como nos buscadores tradicionais”, analisa Leonardo Fagundes, CEO da Apex, agência especializada em comunicação e reputação de marcas.

 

Fagundes destaca que a taxa de conversão de produtos e serviços indicados pelas IAs é 10x maior do que nos buscadores tradicionais, justamente pela validação e uma certa curadoria feita pelas IAs. “E isso só tende a crescer”, complementa.

 

Mostrando a escala dessa nova forma de pesquisa, o ChatGPT já alcança cerca de 800 milhões de usuários ativos mensais. Esse movimento impacta diretamente o comportamento digital, já que os usuários passam a usar menos da navegação por múltiplas fontes e mais de respostas consolidadas pelas plataformas. “Com isso, cresce a necessidade de senso crítico. O usuário precisa assumir a função de interpretar e validar o conteúdo recebido”, alerta Mulinari.

 

Para a especialista, no futuro as ferramentas serão cada vez mais completas, capazes não apenas de responder, mas de executar tarefas automaticamente. Ao mesmo tempo, a integração da inteligência artificial às buscas ainda enfrenta desafios, como transparência das fontes, explicação das respostas e o risco de bolhas informacionais. Nesse cenário, a busca passa a integrar um ecossistema mais amplo de automação, com o desafio de equilibrar conveniência e confiabilidade.

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