Com letras em inglês e referências que vão da ciência à filosofia, Brothers Sun combina tecnologia, narrativa sci-fi e performances visuais para criar uma experiência imersiva
O projeto, que ficou décadas no campo das ideias, encontrou na tecnologia o impulso necessário para sair do papel. Foi assim que o empresário Oldemar Teixeira decidiu retomar um plano antigo — formar uma banda — e transformá-lo em realidade com o apoio da inteligência artificial.“Durante muito tempo, isso ficou só como um desejo. A inteligência artificial me ajudou a organizar as ideias e dar forma ao que antes estava solto na minha cabeça”, afirma Oldemar.
Oldemar se juntou com experientes músicos, entre eles Everson Lira, amigo de Oldemar há 25 anos e o primeiro a acreditar no projeto. Titular de duas bandas, analista de T.I. e também compositor, entre seus antigos projetos, Everson atuou na maior banda cover do Creedence Clearwater Revival do país, inclusive abrindo o show do Nazareth no Brasil.
Na bateria, Eduardo Sallum Filho, baterista maduro e experiente, além de compositor da série "O Caminho das Estrelas", uma coletânea musical com foco na temática indígena, a qual pode ser encontrada no YouTube. Na guitarra solo há Sérgio Machado, conhecedor e adepto de IA musical para arranjos e otimizações, além de contribuir com incríveis solos que trazem um tom ainda mais progressivo à banda. E somando a experiência do grupo, o próprio Oldemar de Nazaré, que insere na guitarra base todos os seus estudos e conhecimentos em violão clássico erudito.
À experiência dos membros da banda se misturam pessoas mais novas, pois no vocal, a banda tem a cantora Kira Sabatella, que tem exatos 18 anos e está sendo lançada pelo grupo, que confia em sua adaptação às sonoridades da banda, e Raul Machado de Souza, no teclado, que, com apenas 15 anos, o garoto prodígio também está estreando na música com o Brothers Sun. Uma curiosidade é que Raul é o neto do guitarrista solo, Sergio Machado, tornando o Brothers Sun assim como a única banda brasileira de rock progressivo onde neto e avô tocam juntos, num encontro musical de gerações.
Há também um membro que faz diferença ao grupo, Ro Braz, esposa e sócia de Oldemar e que faz o segundo teclado, um "Roland Fantom-07", responsável por sonoridades extras em teclas dedicadas com frases especialmente pré-programadas, de onde emergem, por exemplo: o som amplo de corais grandiosos (como em Binary Fugue) ou do pirpan (The Stellar Concordance) ou o Gongo (The Revelation). Ro Braz é sócia titular da franqueadora Poltrona 1 Turismo, ex-bancária de dois bancos famosos, estudante e praticante de tango e teoria musical. Nos shows ao vivo, terá uma participação inédita e diferenciada na música "Milonga of The Wandering Galaxies".
O resultado é o Brothers Sun, grupo que se posiciona dentro do rock progressivo, mas com uma proposta que vai além do gênero. As composições são estruturadas como narrativas, explorando temas ligados ao universo, à existência e às relações humanas, sempre atravessados por elementos de ficção científica. A inteligência artificial entra como ferramenta de organização e desenvolvimento criativo, auxiliando na construção das músicas e na consolidação do conceito da banda. Para aprimorar o conhecimento tecnológico em como a tecnologia pode auxiliar na arte, Oldemar Nazaré e Ro Braz estão fazendo um MBA em IA. Ainda assim, o processo mantém o protagonismo humano, tanto na composição quanto na execução.
“Não se trata de substituir o músico, mas de ganhar velocidade e clareza no processo criativo. A essência continua sendo humana, é isso que dá emoção à música”, explica Oldemar Teixeira.
O repertório do Brothers Sun revela um diálogo com diferentes áreas do conhecimento. Referências à ciência, à literatura e à filosofia ajudam a construir a identidade do projeto, ampliando o alcance temático das letras e reforçando o caráter conceitual das músicas.
A trajetória musical de Oldemar começou cedo, com estudos de acordeon dos 7 aos 10 anos, passando pelo violão (clássico) na adolescência, por experiências em coral com apresentações sinfônicas no Teatro Guaíra e com o tango, o qual estudou o ritmo e a dança por 10 anos. Apesar disso, a ideia de ter uma banda própria permaneceu em segundo plano por muitos anos.
Nos palcos, o Brothers Sun amplia sua proposta ao incorporar elementos visuais às apresentações. Figurinos inspirados em universos futuristas, efeitos de luz, holografia e recursos cênicos contribuem para transformar os shows em experiências que dialogam diretamente com o conteúdo das músicas.
As faixas do grupo já estão disponíveis nas plataformas digitais, com destaque para “The Al-Ghul Star”, que sintetiza a proposta sonora e conceitual da banda, além de “We Are Children of the Universe”. Outro destaque é “The Binary Fugue”, que, segundo Oldemar, foi inspirada em Bach — “o tataravô do rock” — e na qual os músicos demonstram, com alto nível técnico, a que vieram.



