Lula diz que Deus guia seus passos e se emociona ao falar da mãe, dona Lindu, em ato no Rio

Em seu discurso no ato Juntos Pelo Rio, realizado na noite de hoje, 7, na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu ao povo do Rio, falou de sua fé em Deus e se emocionou ao lembrar da infância difícil e de sua mãe, dona Lindu. Segundo ele, as lições deixadas por ela foram fundamentais em sua formação política


Foto: Ricardo Stuckert.

"Esse dia de hoje para mim é um dia de gratidão ao povo do Rio de Janeiro por tudo que vocês me ajudaram. Primeiro, queria dizer para vocês que Deus foi muito generoso comigo. Se tem uma pessoa que não tem que ter dúvida da existência de Deus, se tem uma pessoa que tem que ter consciência da existência de um ser superior, que guia nossos passos, esse ser humano sou eu", iniciou Lula.

Para o ex-presidente, sua trajetória é uma verdadeira prova de fé. "Eu nasci em Caetés e eu fui comer pão pela primeira vez aos 7 anos de idade. Eu vim para São Paulo 70 anos atrás para não morrer de fome, não foram poucas as vezes que minha mãe não tinha comida para colocar no fogo. Eu olhava no semblante da minha mãe e ela nunca perdia a esperança. Ela falava: "Hoje não tem, mas amanhã vai ter". E essa crença… Essa crença me formou", disse ele, emocionado.

O ex-presidente citou também o dia que sua mãe decidiu deixar a casa onde eles viviam com o pai, na Baixada Santista, e se mudou para São Paulo com "oito filhos, a gente com a roupa do corpo, o móvel que a gente tinha era uma tina, uma lata vazia de leite em pó e uma faca, fomos morar num barraco com todos os irmãos pequenos".

Logo, os filhos mais velhos estavam trabalhando para ajudar na renda, contou Lula. "Eu vendia amendoim, vendia laranja, outro irmão vendia tapioca e eu fiquei fascinado, como é que pode uma mulher com 8 filhos pequenos pode separar do marido e morar sozinha porque ela queria que seus filhos fossem tratados com muito respeito a sua dignidade. e sobrevivemos. conseguimos sobreviver", relatou.

Ele falou também que seu sonho era ser economista, mas diante da falta de uma oportunidade, sua vida tomou outro rumo: "fui ser torneiro mecânico, de torneiro mecânico eu fui ser dirigente sindical, de dirigente sindical eu fui ser presidente da República desse país".

O ex-presidente mencionou também o receio que sentia de não conseguir fazer um bom trabalho à frente do governo, citando a experiência do também ex-operário Lech Walesa, presidente da Polônia entre 1990 e 1995, após se consagrar como líder sindical durante greves no porto de Gdansk que ocorreram na mesma época que as greves dos metalúrgicos no ABC, em 1980. Quando se candidatou à reeleição, ele só teve 0,5% dos votos.

"E aí eu comecei a adotar a seguinte tese: toda vez que eu tiver preocupação, dúvida, eu vou conversar com os meus economistas, sindicalistas, sociólogos, advogados, mas eu preciso sentir o pulsar do povo pobre deste país para saber o que ele está pensando. É por isso que eu levava para dentro do palácio catadores de papel, moradores de rua, LGBTs, levava todo mundo. Para as pessoas saberem que naquele palácio cabia rei, mas tinha que caber, sobretudo, o povo brasileiro", declarou.